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Depressão ou transtorno bipolar? Como diferenciar as condições

Depressão ou transtorno bipolar? Como diferenciar as condições
Depressão ou transtorno bipolar? Como diferenciar as condições
Depressão ou transtorno bipolar? Como diferenciar as condições. Ilustração: Elasaude

Um estudo publicado pela plataforma Vittude constatou que 86% dos brasileiros sofriam com algum transtorno mental. Em um país onde a maioria das pessoas têm a saúde mental impactada, é possível que sintomas se misturem e torne-se difícil conseguir um diagnóstico preciso. Isso pode acontecer, especialmente, na tentativa de diagnosticar um conjunto de sintomas como depressão ou transtorno bipolar.

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Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 6 milhões de pessoas sofrem de bipolaridade no Brasil. No entanto, segundo o psiquiatra especializado em bipolaridade e depressão Renato Silva, é possível que a maioria dos pacientes não conte com um diagnóstico conclusivo. Isso porque o transtorno é comumente confundido com depressão e pode ter características semelhantes a outros transtornos.

“O caminho entre a procura de um médico e o diagnóstico correto demora, em média, de nove a 10 anos para identificar um transtorno bipolar do tipo 1 e algo entre 13 e 18 anos para diagnosticar transtorno do tipo 2”, explica Renato.

Outro motivo de confusão entre os diagnósticos pode ser a prevalência de ambos os transtornos. Segundo o psiquiatra, estudos já mostraram que 48% das pessoas depressivas possuem transtorno bipolar. “Então, é preciso que o médico estude todo o histórico do quadro de depressão do paciente para ver se existem características de bipolaridade”, acrescenta.

Depressão ou transtorno bipolar: diagnóstico

Renato aponta, ainda, que a análise de manuais como o CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) e o DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais), regularmente utilizados para o diagnóstico de transtornos mentais, pode não ser suficiente.

“Existem outras características que o médico precisa analisar efetivamente. A realidade e as nuances de vida de cada pessoa vão ajudar a ser mais assertivo na identificação da bipolaridade”, declara.

Apesar de ser um desafio até mesmo para profissionais, o diagnóstico da bipolaridade pode ser feito a partir da análise de alguns sintomas principais.

16 sintomas que podem indicar bipolaridade

Renato explica que o transtorno bipolar é marcado pela alternância entre episódios de mania — períodos com aumento da atividade psíquica e física, com sintomas como impulsividade, irritação e agitação — e períodos de depressão.

“Na maioria das vezes, quem sofre de bipolaridade passa a maior parte do tempo também deprimido e, em alguns períodos, em fase de ativação”, contextualiza. De acordo com ele, os principais sintomas que podem indicar a presença da bipolaridade são:

  • 1 – Quadros de depressão antes dos 20 anos de idade;
  • 2 – Depressão psicótica antes dos 25 anos de idade (constitui-se por sintomas como alucinações, e acreditar sofrer uma perseguição);
  • 3 – Perda de eficácia do tratamento de depressão ou necessidade de alterar medicação antidepressiva mais de 3 vezes;
  • 4 – Depressão recorrente, com mais de cinco episódios;
  • 5 – Depressão pós-parto, que pode ocorrer em 50% das mulheres bipolares;
  • 6 – Episódios depressivos muito curtos;
  • 7 – Retardo psicomotor (lentidão para falar, se mover, etc.) ocasionado pela depressão;
  • 8 – Hipersonia: dormir por mais de 10 horas;
  • 9 – Sazonalidade (depressão sempre na mesma época do ano);
  • 10 – Histórico familiar de bipolaridade: com diagnóstico do transtorno ou marcadores como suicídio, etilismo — principalmente em mulheres — e depressão recorrente em parentes de primeiro grau;
  • 11 – Alta densidade genética: três ou quatro gerações com transtorno de humor;
  • 12 – Oscilação de humor;
  • 13 – Temperamento hipertímico: uma personalidade caracterizada por boa disposição;
  • 14 – Hipomania com antidepressivo: energia em excesso, impaciência, agitação e impulsividade mesmo se tratando com antidepressivo;
  • 15 – Estado depressivo misto: humor está para baixo, mas atividade motora está agitada;
  • 16 – Excitação sexual durante episódio depressivo.

No entanto, é preciso notar que a existência de um ou dois desses comportamentos não indica bipolaridade. “Agora, se ela tiver mais de cinco, as chances de se chegar a esse diagnóstico são maiores”, elucida Renato. A recomendação do psiquiatra é que o próprio paciente analise tais características e, se identificar comportamentos similares aos seus, procure tratamento médico.

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