
Uso frequente de fones em volume alto e exposição constante a ambientes barulhentos estão entre os hábitos que mais preocupam especialistas quando o assunto é saúde auditiva.
Um hábito comum na rotina de milhões de pessoas pode estar trazendo um risco silencioso para a saúde: ouvir música alta por muito tempo, especialmente com fones de ouvido, e frequentar ambientes com som intenso. Segundo um megaestudo publicado no British Medical Journal, cerca de 1 bilhão de jovens entre 12 e 34 anos no mundo correm risco de perda auditiva por causa dessas chamadas práticas inseguras de escuta.
A pesquisa revisou estudos realizados entre 2000 e 2021, reunindo dados de quase 20 mil pessoas. O levantamento avaliou tanto o uso de equipamentos individuais, como fones de ouvido, quanto a exposição a locais com som muito alto, como festas, shows e casas noturnas.
Os resultados chamam atenção. De acordo com os autores, 24% dos jovens analisados já fizeram uso inadequado de aparelhos de áudio pessoais, enquanto quase metade relatou frequentar ambientes barulhentos em níveis considerados preocupantes. A partir desses dados, foi feita a estimativa global de risco.
Segundo o otorrinolaringologista Paulo Henrique Dias Mattos, do Hospital Israelita Albert Einstein, em Goiânia, o estudo reforça algo que os especialistas já observam na prática: o risco para a audição está diretamente ligado ao volume, ao tempo e à frequência de exposição ao ruído.
O limite considerado seguro para evitar danos é de 80 decibéis durante até 40 horas por semana. Acima disso, o tempo de exposição deveria ser reduzido. O problema é que muitos fones de ouvido podem atingir cerca de 105 decibéis, enquanto o som em festas e shows pode variar entre 104 e 112 decibéis.
Além disso, os especialistas alertam que essa exposição não acontece de forma isolada. No dia a dia, a chamada poluição sonora também contribui para sobrecarregar o sistema auditivo, tornando a situação ainda mais preocupante ao longo dos anos.
Danos podem ser permanentes
O excesso de ruído pode provocar lesões neurossensoriais, afetando o nervo auditivo. Em muitos casos, os danos vão se acumulando com o tempo, mesmo quando a exposição parece ocasional. Na maior parte das situações, a perda auditiva causada por ruído é definitiva.
Por isso, o foco deve estar na prevenção e em evitar a progressão do problema. Se uma pessoa já apresenta algum comprometimento auditivo ainda jovem, os impactos podem se tornar mais intensos no envelhecimento.
Sinais que podem indicar perda auditiva
Um dos pontos mais delicados é que, muitas vezes, a própria pessoa não percebe que está ouvindo menos. Alguns sinais de alerta incluem:
- necessidade frequente de pedir para repetirem o que foi dito
- hábito de aumentar muito o volume da TV, do celular ou dos fones
- presença de zumbido constante ou recorrente
- dificuldade para entender conversas em ambientes com ruído
- sensação de cansaço ao tentar acompanhar diálogos
Nas crianças, a perda auditiva pode afetar o desempenho escolar. Já nos adultos, pode estar associada a prejuízos cognitivos, impactos psicossociais e até queda na renda, de acordo com o estudo.
Como proteger a audição no dia a dia
A boa notícia é que muitos dos fatores de risco são modificáveis. Entre as medidas mais recomendadas estão manter os fones bem ajustados, usar volume mais baixo e fazer pausas durante o uso prolongado.
Em shows, festas e eventos, a orientação é evitar ficar muito perto das caixas de som. Já em locais muito ruidosos, como ambientes industriais, é essencial utilizar proteção auditiva, como tampões ou abafadores.
Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer diferença importante no futuro. Afinal, cuidar da audição desde cedo pode ajudar a preservar a qualidade de vida por muitos anos.

Fonte: Agência Einstein | British Medical Journal. Infográfico: Condutta.com
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